quarta-feira, 5 de maio de 2010

Sucesso do além

Foi o título da capa do caderno Ilustrada da Folha de São Paulo no dia 26/04 para comentar o filme e a onda de produções ligadas ao Espiritismo.

Nada de estranhar por se tratar de um caderno de assuntos culturais, onde filmes, teatro, TV e coisas do gênero por ali passam, em críticas, análises, sugestões de espetáculos e variadas crônicas de escritores importantes.

A abordagem está focada na questão do sucesso que as produções de caráter espírita vêm tendo com o público. Matéria elaborada por Fernanda Mena e Laura Mattos faz uma análise fincada no aspecto de entender o por quê. O "ser ou não ser" como sub-titulo, expõe a dúvida para entender as razões de tanto interesse pelo fato de que somos apenas 4 milhões de adeptos.

A matéria bem elaborada inclui Célia Arribas, socióloga e pesquisadora da USP, autora do livro "Afinal, Espiritismo É Religião?" e Sandra Stoll, autora do Livro "Espiritismo à Brasileira, ao trabalho jornalístico enfocando os motivos possíveis do volume nas bilheterias.

Ao lado do mercado promissor, cuja massa ávida por informações sobre o além, a matéria é sintetizada numa pequena frase questionadora: “Afinal, quem é que não quer saber como é a vida após a morte?

Lembrei-me, quando há um tempo atrás no curso de filosofia de uma universidade, foram convidados para falar sobre religião, um teólogo, um católico, um pastor evangélico e um espírita, cuja responsabilidade me incumbiram. Os quatro diante dos alunos o que mais respondeu pergunta foi o Espiritismo. Era fácil de entender, o Espiritismo é novidade. A curiosidade para conhecer seus princípios e fundamentos e principalmente os fatos mediúnicos são a atração para qualquer um.

Embora o assunto tome conta das conversas há, talvez por ciúme infantil, por parte dos receosos a preocupação exacerbada do assédio cinematográfico aos personagens importantes do movimento brasileiro, como Chico Xavier e Bezerra de Menezes.

A sacralização de temas e das pessoas é fruto ainda do sincretismo religioso existente nas casas espíritas. Acreditam que a divulgação do Espiritismo não pode ser proselitista. Mas é nisso que está o grande equívoco. Por tratar exclusivamente a Doutrina Espírita como religião, comportam-se como fiel a salvar almas.

No "O Livro dos Médiuns", Kardec já mostrava que "ensinar não é somente o que se faz do alto da cátedra ou da tribuna; há também o da simples conversação." Se o alcance de um só esforço atende milhares de pessoas, por que não?

O filme, a novela ou outro veículo de comunicação têm a capacidade estabelecer a relação com a massa de maneira lúdica cuja mensagem além entreter convoca todos a pensarem – o que vem depois da morte?

O Espiritismo "aborda todas as questões que interessam a humanidade", esse cuidado Kardec teve ao afirmar, "antes de torná-lo espírita, tentai torná-lo espiritualista".

O “Sucesso do Além” ultrapassa a barreira das crenças porque atinge as questões fundamentais de vida ou de morte a qual todos temos direito em saber

Como fonte de informação,o Espiritismo não converte, esclarece, é nisso que está o interesse geral.

Um comentário:

  1. Uau! Muito bom seu post. Não sabia que havia sido convidado por uma universidade para discutir o espiritismo. Mas eu tb sinto isso, quando as pessoas descobrem que sou espírita, sempre querem saber mais...
    E completando a sua informação, conheço muitos espíritas beatos!

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